26.3.07

O Príncipe e a Coroa

Já sabiam os antigos que uma narrativa singela, como uma fábula ou parábola, pode conter mais sabedoria que um tratado. Em seu filme Basquiat Julian Schnabel põe na boca do atormentado pintor neo-expressionista, morto de overdose aos vinte e sete anos, esta pérola que tão bem sintetiza a angústia criativa.

Minha mãe contou-me essa história. Ou foi um sonho?...

Havia um pequeno príncipe com uma coroa mágica. Um feiticeiro maligno raptou-o, encarcerou-o em uma cela numa torre enorme, e retirou-lhe a voz. Havia uma janela protegida por barras.

O príncipe aprisionado golpeava a cabeça contra as barras, na esperança de que alguém ouvisse o barulho e o encontrasse. A coroa produzia o som mais belo que alguém já ouvira. Podia-se ouvir o repique a quilômetros. Era tão lindo que as pessoas queriam agarrar o ar.

Nunca encontraram o príncipe. Ele nunca saiu da cela. Mas o som que ele fazia enchia tudo com beleza.

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