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Desta vez, minha dívida é com os fundamentalistas católicos norte-americanos, que se mobilizaram para boicotar o belíssimo e encantador filme de fantasia A Bússola de Ouro, alegando que o romance em que se baseou, escrito pelo inglês Philip Pullman, é essencialmente anticlerical. Falam sobre uma “campanha insidiosa” para inculcar ateísmo às crianças e denegrir o cristianismo. O porta-voz dessa insanidade é um energúmeno chamado William Donohue, presidente de uma tal Catholic League, cujo logotipo não tem cruz alguma, mas tão-somente uma espada.
Em vista disso, não tive dúvidas: assisti ao filme, amei cada minuto de projeção, e comecei a ler o livro, tudo graças ao boicote desses fanáticos. Impressa ou projetada, A Bússola de Ouro, com sua simpática protagonista mirim, seus animais falantes, ursos polares de armadura e belas lições de coragem e amizade, não denigre igreja específica alguma. Em contrapartida, os prelados sinistros e intolerantes da organização intitulada Magisterium, vilões da premiada trilogia His Dark Materials de Pullman (traduzida aqui como Fronteiras do Universo), lembram muito o boçal Donohue e sua liga fascistóide.
Façam um favor às crianças de vocês e às crianças que há em vocês: assistam ao livro e leiam o filme A Bússola de Ouro.